Conferência: Cerâmica Moderna e Contemporânea. Estética, formas e funcionalidades
Em virtude da organização do 10º Campo Arqueológico de Proença-a-Nova (CAPN) no dia 15 de Abril no Centro de Ciência Viva da Floresta, em Proença-a-Nova, pelas 16h, terá lugar a conferência "Cerâmica Moderna e Contemporânea: Estética, formas e funcionalidades", por Guilherme Cardoso - Doutorado pela Universidad de Extremadura, Cáceres, com a tese: Estudios Arqueológicos de la Villa Romana de Freiria - no âmbito 

A conferência pode ser visualizada através do seguinte: https://www.youtube.com/watch?v=Ry-kIFOaC8E

Resumo: "Nos finais do século XV, início da Idade Moderna, dá-se uma grande mudança nas mentalidades. A descoberta de novas rotas marítimas na direção da África Equatorial e posteriormente da Austral possibilitou o desenvolvimento do conhecimento, bem como, consequentemente, com a chegada ao Brasil, à Índia, à China e ao Japão.

 O contacto com outros povos, outras realidades, contribuiu para o fenómeno de miscigenação da qual emergiu uma cultura europeia mais rica de experiências e também de sabores. Observa-se o alterar dos gostos, a aceitação do exótico como prestigiante, desenvolvendo-se em simultâneo uma simplicidade funcional e individual nas cerâmicas do quotidiano em detrimento das de prestígio. Podemos falar de uma época de mundialização, através das trocas de conhecimento e informação, mas mantendo a “individualidade” de cada região.

Com a época Contemporânea aparecem novas modas, estéticas que se desenvolvem e expandem ao mesmo tempo por todas as partes do mundo conhecido. Podemos falar num processo de globalização mais abrangente, que se deveu ao grande desenvolvimento económico resultante da industrialização, a uma escala até ao momento nunca vista.

Observamos, assim, que as louças da época Moderna tinham inicialmente, quanto às técnicas de fabrico, características similares às produções medievais, no que concerne à cerâmica fosca. Será em relação, principalmente às faianças, que, na segunda metade do século XVIII se altera o paradigma económico e as louças regionais vão sendo substituídas por outras, produzidas maciçamente em fábricas, facto que as torna mais baratas, resultando numa democratização do consumo.

A ilustrar estas considerações, apresentam-se os exemplos concretos dos materiais recolhidos no poço dos Paços do Concelho de Torres Vedras, no poço do Vale de Alcântara, Lisboa, e no convento Dominicano de Montejunto."